Bolsonaro decide fundir Fazenda com Planejamento e Agricultura com Ambiente
O presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro (PSL), decidiu manter a fusão de ministérios proposta durante o período eleitoral. Nas últimas semanas de campanha, o então candidato sinalizou que poderia recuar da promessa, em aceno a setores insatisfeitos com a junção das pastas.

O governo terá, portanto, um ministério da Economia, reunindo as atuais Fazenda, Planejamento e Indústria e Comércio, e outro com Agricultura e Meio Ambiente.

A decisão foi anunciada após reunião de Bolsonaro com integrantes da sua equipe, como o deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS), o economista Paulo Guedes e o advogado Gustavo Bebianno. Segundo Onyx, a administração federal terá "15 ou 16" pastas e já há uma lista de nomes que estão sendo analisados para comandá-los.

A configuração, com as mudanças, ficaria assim:

Três ministérios se fundem: Fazenda, Planejamento e Indústria e Comércio -> tornam-se um único ministério, da Economia;

Outros dois ministérios se fundem: Agricultura e Meio Ambiente -> um só ministério.

Até o momento, foram confirmados os nomes do general Augusto Heleno (PRP), para a Defesa, de Paulo Guedes, para o ministério da Economia, e próprio Lorenzoni para a Casa Civil. Um quarto ministro praticamente certo é o do astronauta Marcos Pontes para a Ciência e Tecnologia. Nesta segunda-feira (29), Bolsonaro disse que falta apenas um "detalhe" para confirmar a indicação.

O encontro ocorreu entre a manhã e a tarde desta segunda-feira (30), na casa do empresário Paulo Marinho, no Jardim Botânico, zona sul do Rio de Janeiro. Marinho foi eleito o 1º suplente do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), um dos filhos do presidente eleito.

"Hoje foram decididos aí já alguns nomes. Houve um significativo avanço, em torno de 80% dos ministérios já estão definidos. Apenas por uma questão estratégica nossa, vamos passar os nomes um pouquinho mais para frente", declarou Bebianno, que presidia o PSL até esta segunda-feira (29).

Onyx definiu o encontro de hoje como uma "reunião preparatória" e afirmou que o processo de transição começa oficialmente amanhã. "Nós vamos levar amanhã os nomes dos novos técnicos que vão nos ajudar no recebimento dos números do atual governo, no conhecimento de todos os processos que estão em andamento no atual governo."

A ideia é voltar de Brasília no fim de semana com um diagnóstico preliminar que será repassado a Jair Bolsonaro, que planeja viajar à capital federal na terça-feira (6). A partir de segunda-feira (5), a equipe de transição se instalará no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil).

O vice-presidente eleito, general Hamilton Mourão (PRTB), também participou da reunião e falou à reportagem do UOL que a definição dos ministérios "está na em cima da mesa para o presidente decidir". Segundo o militar da reserva do Exército, a dúvida é se o número será de "16 ou 17".

A indefinição ocorre para evitar que o governo se torne um "Frankenstein" e seguir o plano inicial de ter 15 pastas "ficou difícil", segundo Mourão.

"O presidente já tem uma lista de nomes [de possíveis ministros] que ele está nesse momento fazendo a definição final. Acredito que nos próximos dias ele deva liberar mais alguns nomes."

Ainda de acordo com Mourão, que anunciou a própria participação na equipe de transição do governo, ele e Bolsonaro viajarão para Brasília na próxima terça-feira (6), quando o presidente eleito fará visitas institucionais e protocolares.

Onyx disse que há uma "indefinição" de Bolsonaro em relação a "uma área muito importante", o que impede a divulgação do número fechado de pastas. Segundo ele, a decisão será tomada até o fim desta semana.

"Deveremos ter entre 15 e 16 ministérios. Há um processo de definição por parte do presidente em uma área muito importante. Esta definição ocorrerá na quinta ou na sexta-feira para permitir que, na segunda, a gente já tenha o desenho dos ministérios com capacidade de ser divulgado."

Segundo o vice, o clima da reunião foi descontraído, "com algumas discussões aqui e ali, mas coisa normal". Ele deixou a casa sozinho e discretamente enquanto os outros participantes do encontro concediam entrevista coletiva. Ele caminhou até a esquina para esperar um Uber.


UOL