Domingo, 26 de Setembro de 2021
28°

Poucas nuvens

Riacho dos Cavalos - PB

Brasil Brasil

Mayra diz que aplicativo TrateCov 'poderia ter salvo muitas vidas'

Sistema de orientação a profissionais de saúde foi suspenso após simulações indicarem remédios sem eficácia comprovada

25/05/2021 às 12h32
Por: Danilo Almeida Fonte: R7
Compartilhe:
Mayra Pinheiro, em depoimento à CPI da Covid - (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado - 25.05.2021)
Mayra Pinheiro, em depoimento à CPI da Covid - (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado - 25.05.2021)

A secretária de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, afirmou nesta terça-feira (25) à CPI da Covid, no Senado, que o aplicativo TrateCov, plataforma desenvolvida pelo governo para profissionais de saúde sobre tratamento precoce contra covid-19, "poderia ter salvo muitas vidas". O sistema sugeria receitar remédios ao início da doença, mesmo não havendo comprovação científica, incluindo medicamentos como cloroquina e ivermectina. 

O aplicativo ficou acessível por alguns dias em janeiro, e pessoas postaram na internet as recomendações que receberam. Segundo Mayra Pinheiro, "o sistema não foi colocado no ar", e um jornalista teria feito uma extração de dados de um protótipo na página do Ministério da Saúde e iniciado simulações na internet.

"Essa ferramenta, senhores, poderia ter salvo muitas vidas em auxílio aos testes diagnósticos. Ela poderia ter ajudado a Secretaria Estadual de Manaus [do Amazonas], a municipal, a diagnosticar precocemente e proceder ao isolamento dos comprovados, acompanhado os suspeitos, e tudo isso foi perdido com essa invasão", afirmou.

A possibilidade de médicos prescreverem em comum acordo com os pacientes remédios como a cloroquina e a ivermectina é uma das bandeiras do presidente Jair Bolsonaro desde o início da pandemia. Tanto o presidente, quando Mayra Pinheiro, nesta quinta, afirmam haver estudos indicando a possibilidade. O TrateCov foi baseado em pesquisas, defendeu a secretária. 

Há também pesquisas comprovando a ineficácia. Governos que inicialmente apostaram no medicamento, como o dos EUA, abandonaram a utilização. No Brasil, órgãos como a Associação Médica Brasileira repudiam a utilização.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou à CPI no início do mês que considera a classe médica está dividida sobre o uso de remédios para tratamento precoce contra a covid-19. Por isso, ele quer rapidez na definição de um protocolo que poderá recomendar uso. O tema é analisado pelo Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde), órgão do Ministério da Saúde que vai gerar o protocolo para o tratamento precoce.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Ele1 - Criar site de notícias